A linhagem dos caças Mirage mantém um design básico praticamente
inalterado desde que o MD.550, o primeiro protótipo, voou em 1955. O
caça monomotor de asas em delta da Dassault nesses 45 anos passou por
diversas modificações estruturais, em seus diversos sistemas e na motorização
que o fizeram merecer diversas denominações.
A última destas responde pelo nome de Mirage 2000-5.
Pensava-se
que com o Rafale, o último lançamento da maison Dassault, a linha Mirage tivesse chegado ao seu fim. No entanto, a Dassault, estimulada por um
contrato de upgrade de 33 Mirage 2000-5 e aquisição de 30 Mirage 2000-9
pela Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos, realizou diversas modificações
no 2000-5 que visavam ampliar o raio de ação, o aumento da carga útil,
a melhoria da capacidade de engajamento múltiplo e o aumento da capacidade
de ataque ar-superfície.
Estas
melhorias, e não só estas, resultaram numa sensível melhora geral do desempenho
da aeronave que fizeram por fazer merecer uma nova denominação: Mirage 2000-5 Mk (Mark) 2.
As modificações externas são pouco visíveis. Dentro da nacele é que se
percebe a grande diferença existente entre um 2000-5 e um Mk 2. A cabine
está preparada para ser compatível com diversos sistemas de NVG - Night
Vision Goggles, óculos de visão noturna, que hoje são uma regra entre
os caças mais modernos.
O
conceito glass cockpit foi empregado: a ausência de mostradores analógicos
é quase que completa. O único mostrador analógico é um horizonte artificial.
O painel é ocupado por 3 grandes displays multifunção que juntos com o
Head Up Display fornecem informações diversas sobre os diferentes sistemas
da aeronave de forma clara e de fácil acesso.
Este
conceito foi utilizado para diminuir a carga de trabalho do piloto e aumentar
o conforto, dando-lhe domínio completo da aeronave e de seus sistemas.
O peso máximo de decolagem foi elevado em 1.000 kg - o PMD agora é de
17.500 kg. As quatro estações subalares e cinco ventrais foram mantidas,
porém algumas são reforçadas para levar cargas de maior peso e também
receberam modificações que permitem ao Mk 2 dispor de uma maior variedade
de armamentos. Para missões ar-ar o Mk 2 pode ser armado com 4 mísseis
MICA semi-ativos ou de orientação infravermelha, além de 3 tanques alijáveis
de combustível.
As possibilidades de configuração são vastas, podendo o Mk 2 lançar uma
grande gama de armas convencionais e inteligentes, desde mísseis Matra-BAe
MICA e Magic 2 até o míssil anti-navio Aerospatiale AM-39 Exocet, passando
por bombas convencionais e inteligentes da família GBU. Por fim, os dois
canhões DEFA 554 de 30mm e munição de 125 cartuchos para cada canhão foram
mantidos, exceto na versão biplace.
No 2000-5 os diversos sistemas eram gerenciados por quatro
computadores de missão. No Mk 2 eles foram substituídos por uma MDPU,
Unidade de Processamento de Dados Modular, que tem uma capacidade de processamento
200 vezes maior que o sistema antigo. Aliado à MDPU está o radar Thomson-CSF
RDY já usado no 2000-5. Multipropósito, ele pode detectar e plotar até
24 alvos, dos quais 8 podem sem acompanhados e identificados no modo TWS,
Track While Scan. O Mk 2 também está dotado de capacidade data link que
o permite compartilhar com outras aeronaves componentes da rede de informação
as informações oriundas do radar RDY e dos diversos sensores da aeronave.
Internamente o Mk 2 carrega uma moderna suíte de gerra eletrônica (EW)
de 5ª geração. O Thomson-CSF Detexis ICMS Mk 3 é capaz de analizar e identificar
através de uma vasta biblioteca os diversos sinais eletromagnéticos em
ação no teatro de operações, reagindo automaticamente com o lançamento
de chaff, flares e outras contramedidas. No entanto a capacidade de pacotes
de chaff e flares é maior do que a do 2000-5. Além de proteção passiva
e ativa fornecida pela sua suíte avançada de guerra eletrônica, segundo
a Dassault a sua assinatura radar é equivalente à metade daquela produzida
por um Lockheed Martin F-16.
Peso: vazio
- 7.580 kg;
combustível interno (máx) - 3.160 kg;
combustível externo (máx) - 1.440 kg;
peso máximo de decolagem - 17.500 kg
Propulsores: 1 (um) turbofan com pós-combustão SNECMA M53-P2 de potência
seca máxima de 6.550 kg (14.500 lb) e em regime de pós-combustão, 9.770
kg (21.500 lb) de empuxo
Performance: velocidade máxima em altitude, Mach 2,2; velocidade máxima
a baixa altura, Mach 1,2;
teto de serviço, 16.500m;
distância mínima de decolagem, 510m;
distância mínima de pouso, 630m;
raio de ação, (com 6 mísseis ar-ar), 1.445 km, (em altitude), 1.852
km
Fatores de carga limite:
operacional: +9g e -3,2g;
estrutural: +13,5g e -4,8g