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A-300B4-2C Os A300 foram os primeiros jatos widebody utilizados regularmente em linhas aéreas domesticas brasileiras |
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| Out/2006 | |
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Em setembro de 1973 aconteceu em São José dos Campos, SP, o primeiro e último grande Salão Aeroespacial no Brasil, um evento que atraiu milhares de pessoas e aeronaves importantes como o C-5A Galaxy.Entre as muitas novidades, destacava-se uma novíssima aeronave, que de tão nova ainda se encontrava em fase de testes: o Airbus A300. |
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O
A300 nasceu com um conceito revolucionário: seria o primeiro avião
de larga capacidade desenhado especificamente para rotas curtas a ser
impulsionado por dois motores. O novo modelo seria capaz de transportar
até 300 passageiros por 1,200 milhas, utilizando um par de eficientes,
silenciosos e confiáveis motores GE CF6. |
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De fato, era mesmo uma
revolução a seu tempo: simplesmente não havia nenhuma
aeronave capaz de lhe opor competição. Seu primeiro vôo,
um sucesso total, foi em 28 de outubro de 1972.Tantas
inovações não passaram desapercebidas ao ambicioso
e visionário Omar Fontana, presidente da Transbrasil. O Consórcio
Airbus, ávido em vender a primeira aeronave na América do
Sul, convidou Omar a sentar-se no assento da esquerda do jato vermelho
e branco. Bernard Ziegler, piloto de provas da Airbus, convidou o Cmte
Omar a pilotar a enorme aeronave. |
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Omar não se fez de rogado e,
um par de horas depois, desembarcou extasiado do reluzente protótipo,
matriculado F-OCAZ. Seu entusiasmo pelo A300-B2 era proporcional ao tamanho
do avião: com mais de 50m de comprimento, o A300 era um gigante
a seu tempo. Semanas depois, ao final de 1973, Omar foi até Toulouse e negociou uma proposta bastante atraente junto consórcio europeu: a Airbus providenciaria, além dessas condições favoráveis, algo muito mais importante: um pacote de financiamento integral para as três aeronaves (duas firmes e mais uma em opção de compra) que a Transbrasil desejava colocar em operação em suas rotas-tronco. Faltava apenas a aprovação do governo verde-amarelo para importar os aviões. |
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Mas,
nos idos de 1973, o cenário da aviação brasileira
era outro, muito mais regulamentado do que hoje. Na prática, a
competição entre empresas era algo para inglês (e
francês) ver: nosso governo determinava a participação
de cada empresa aérea no mercado. Era o DAC que definia rotas,
equipamentos, enfim, que dividia o bolo segundo seus próprios interesses.
Ou como a história mostra, seguindo mais os interesses de algumas
de nossas empresas aéreas do que outras... Desnecessário dizer: a compra dos jatos foi vetada pelo DAC. Omar ficou sem os seus Airbus; as empresas "competidoras" ficaram satisfeitas. |
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Primeiras
vendas Omar e a Airbus ficaram desapontados, é claro. Por outro lado, os concorrentes da Transbrasil mantiveram os olhos no desempenho do A300, sobretudo após a entrada do tipo em serviço, nas cores da Air France, em 23 de maio de 1974, na rota Paris-Londres. O avião provou em serviço ser tudo aquilo que o fabricante prometia: seguro, confortável, silencioso, econômico de operar. Mesmo assim, suas vendas começaram em ritmo lento: apenas a Air France e a Lufthansa fizeram encomendas significativas a princípio. |
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Em
1974, surgiu uma segunda versão, o A300-B4, com maior carga paga,
peso máximo de decolagem ampliado de 142 para 165 toneladas, refinamentos
aerodinâmicos (como a utilização de flaps tipo Kruger)
e alcance aumentado para mais de 5,700 km. Este seria o modelo de maior
sucesso da "primeira geração" dos A300. Então, finalmente, a Airbus conseguiu vender sua primeira aeronave no Brasil: em 27 de abril de 1979, a Varig assinou a aquisição de duas aeronaves e mais duas opções de compra da versão A300B4-203. Essas duas opções foram confirmadas em 19 de julho de 1979 e em 30 de setembro de 1980. Inicialmente, a intenção da Varig era utilizar seus A300 nas rotas sul-americanas, herdadas pela absorção das operações da Cruzeiro do Sul em 1975. Sendo assim, as aeronaves seriam recebidas nas cores da tradicional operadora, antiga Sindicato Condor. |
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O
Airbus chega ao Brasil A Cruzeiro recebeu o PP-CLA em 20 de junho e o PP-CLB em 26 de junho de 1980. O inverno desse ano ficará para sempre na minha memória: num inesquecível domingo azul de sol, assisti boquiaberto aos procedimentos de toque e arremetida que o PP-CLA conduziu no aeroporto de Congonhas. Naquela época, sem o recurso de simuladores, era preciso treinar os tripulantes para pousar a enorme máquina na curta pista do aeroporto central de São Paulo na prática mesmo. É preciso lembrar que até então, os Boeing 727-200 da Vasp e da Aerolineas Argentinas eram as maiores aeronaves que operavam regularmente em Congonhas.Ver o colossal e silencioso A300 tocar, correr pela pista e decolar sem aparente esforço ou ruído signficativo era como assistir a um filme de ficção científica. Depois de seis procedimentos de touch-and-go, o Airbus retornou ao Galeão, onde ficou estacionado por alguns dias antes de entrar em serviço regular. |
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AIRBUS
A-300B4-2C JRLucariny Panel Model Em serviço A Cruzeiro colocou o PP-CLA em serviço no dia 1º de julho de 1980 na rota São Paulo-Buenos Aires. No dia 15 de julho, a malha servida pelos A300 foi substancialemnte ampliada: a empresa passou a servir, além da cidade portenha e da capital paulista, as praças do Rio de Janeiro, Brasília, Belém, Manaus, Caracas e Miami com seus dois A300. Ao mesmo tempo, a empresa iniciava uma campanha publicitária apregoando a chegada "De uma nova estrela na Cruzeiro", que segundo os anúncios e folhetos da época conquistava a "Liderança em jatos do futuro." |
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Os
Airbus logo estabeleceram um padrão de conforto até então
sem precendentes nas rotas domésticas. Com oito banheiros, seis
galleys e duas classes de serviço (primeira com 24 assentos e econômica
com 210) e nada menos que 12 comissários cuidando do atendimento,
os A300 tornaram-se os mais avançados e confortáveis jatos
em serviço nas rotas domésticas e sul-americanas. |
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Despedida
na Varig e Cruzeiro Com o recebimento de mais jatos DC-10 e 747, os vôos internacionais da Varig já podiam contar com aeronaves de grande capacidade e alcance maior do que os A300B4 podiam oferecer. Assim os quatro Airbus do grupo passaram a voar nas principais rotas domésticas e nas ligações com os países do cone sul, especialmente nos vôos para a Argentina. Com a inauguração do Aeroporto de Guarulhos em 1985, o principal mercado emissor do Brasil ganhava finalmente um aeroporto internacional de fato. A performance do A300 nas curtas pistas de Congonhas, principal atributo que justificava sua operação, deixava de existir. Sendo assim, o grupo Varig resolveu vender as aeronaves e padronizar sua frota de widebodies de média capacidade e alcance no modelo 767, que a empresa começou a operar em 1986. |
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Assim, em 15/3/1982 o PP-CLB foi vendido e entregue para a Japan Air System,
onde recebeu a matrícula JA8292. Em 7/12/1989 foi a vez do PP-VNE,
entregue à mesma empresa e matriculado JA8293. O PP-CLA e o PP-VND
foram ambos vendidos para a Air Jamaica em 1990. O CLA deixou o Brasil
em 10/5/90 e assumiu sua nova identidade e matrícula, 6Y-JMR. O
VND transformou-se em 6Y-JMS em 12 de junho. Ambos serviram à empresa
jamaicana até o final de 1996, quando foram encostados nos desertos
do Arizona. Mais em: Link |
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